Sobre o poeta IV

Algumas Palavras

“- Por quê escrever um livro de poesias?”
Esta pergunta em desabalada necessidade de compreensão foi-me endereçada por um sobrinho ávido para entender alguém que escreve poesias em meio a um mundo concreto de (ir)racionalidades… de positivismos. Dei-lo as devidas explicações de momento, e necessárias para que aquele adolescente entendesse o motivo, mas muito mais que isso busquei explicar – em poucas palavras – que a Poesia (com “P” maiúsculo) é o “Sujeito” revolucionário, o verdadeiro “móbil” da transformação social, econômica e política. Enfatizei que a Poesia traduz o “corpo”, a “alma” e o “espírito” do seu povo revelando a quantidade e a qualidade da formação e da educação de toda gente.
Após aquele diálogo fiquei com impressão de haver correspondido e, ao mesmo tempo, satisfeito à curiosidade daquele jovem. Mas aquela pergunta ficara-me impregnada na consciência.
Ao longo dos muitos dias quando escolhia entre uma e outra poesia para produzir este volume, ela martelava-me a mente. (O processo de escolher poesias para a construção de um livro não é nada fácil. Cheguei inclusive a grande descoberta, ou seja, é um martirizar lentamente e sôfrego. Nunca se tem certeza de que esta ou aquela escolha representa o gosto pessoal ou o gosto estético. “Ah, deixa pra lá. Correrei o risco de escolher exatamente aquelas que eu gostaria de publicá-las. E ponto final.”) Mas foi exatamente num desses momentos que me ocorreram estas breves palavras, isto é, explicar as razões “deste” livro.
Em princípio, jamais imaginei publicar um livro de poesias, especificamente. Meus poemas sempre estiveram soltos ao vento. Sempre caminharam por conta própria ou embarcaram de graça no “veículo” de algum espírito amante de Sibila. Ou, foram levados por qualquer interesse que não me deram a conhecer (mas acho que isso também não tem muita importância). Então, por quê fazê-lo? Por quê acredito na Poesia como um “Sujeito” da Educação e da Formação da espécie humana.

A poesia lapida o diamante bruto. A poesia amolece o coração xucro. A poesia vê a beleza onde os olhos enxergam apenas mísera tristeza. A poesia desvela e revela a alma do povo em cada nova palavra como novo alvorecer. A poesia transforma o ser. A poesia briga. A poesia deblatera. A poesia chora. A poesia ri. A poesia ama e odeia e grita. A poesia anoitece no amanhecer, assim como amanhece no anoitecer. A poesia acontece em qualquer ser. A poesia é filosofia e também sociologia. A poesia é deus e o diabo. A poesia é Horácio, é Hesíodo. É Heráclito. É Safo. A poesia é Aristóteles e Platão. A Poesia é Ésquilo e Sófocles. A poesia é Jesus e João Batista, Herodes e Salomé. E Lúcifer. A poesia é feita de Hércules e de Náusicaas. E de Ulisses. A poesia é vida e morte. A poesia é azar e sorte. A poesia é língua, fala e linguagem. A poesia é Paidéia. A poesia é Arete ou Areta. A poesia é.

Essa sim, é a verdadeira resposta à pergunta do meu sobrinho e a verdadeira razão deste livro (e-Book).
Mas, também (e por dever de ofício), devo declarar que este livro resulta do meu reencontro com o poeta e jornalista Mhário Lincoln, em Curitiba, Paraná, onde resido e ele também, bem assim com os poetas Nauro Machado e Marconi Caldas, por telefone, ambos maranhenses, e eternos amantes fugazes da Ilha do Amor, meus conterrâneos e mestres, que se empenharam no incentivo de me levarem a esta empresa.
Também devo declarar que uma pessoa muito especial, por nome Eloísa Alonso (conheci-a na Internet), que me cognominou de “João Poeta”, transformou-se em uma incentivadora contumaz a partir do instante em que conheceu as minhas poesias.
A todos o meu eterno agradecimento.

João Batista do Lago

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