Sobre o poeta VII

(Esta matéria foi publicada no Portal MHARIO LINCOLN DO BRASIL – http://mhariolincoln.jor.br)

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23/06/07

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DE JOÃO BATISTA DO LAGO

“João Batista do lago, maranhense, pode ser considerado, atualmente, um dos mais completos poetas e cronistas do Brasil, haja vista a consciência plural e significativa de sua intuição cultural, fato que o faz passear entre musgos históricos gregos e o modernismo clariciano, espargindo o pensamento poético alemão, americano ou inglês, sem esquecer das taças saboreantes dos vinhos que enebriaram o cismar dos poetas franceses como BAUDELAIRE (Charles Baudelaire), MALLARMÉ (Stéphane Mallarmé), FRANÇOIS COPÉE (François Édouard Joaquim Copée) e MUSSET (Louis Alfred de Musset) – o poeta do amor.
Como eu, o Maranhão e o Brasil também, creio, se orgulham de João Batista do Lago, uma das maiores expressões literárias do mundo moderno. Fato que, realmente não deixa a desejar se comparado a nenhum dos franceses acima citados”:

MUSSET
Do coração sensível, palpitante,
a fugaz emoção, o desatino,
era o único a gravar em canto, em hino,
e lapidava o verso, qual diamante.

BAUDELAIRE
A rua num tumulto em torno de mim gritava.
Alta, esguia, vestindo um luto majestoso
linda mulher passou que, num gesto gracioso,
a fímbria do vestido erguia e balançava.

MALLARMÉ
Não venho aqui vencer teu corpo, ó ser obscuro
que os pecados de um povo juntas; nem desejo
revolver tristemente o teu cabelo impuro
sob o incurável tédio oriundo do teu beijo.

FRANÇOIS COPÉE
vi-o – bêbedo estava e, inebriantes
a capitosos vinhos mais bebia,
e em tédio, como os fartos ruminantes
a larga boca, estúpida, movia…

Essa era a homenagem que eu gostaria de ter prestado antes a João Batista do Lago. Mas que, só hoje, através das páginas honrosas deste veículo netiano de comunicação, o faço com orgulho de também ser maranhense e… poeta menor.
Abaixo, fiquem com mais um belo texto de JB do Lago.
MARCONI CALDAS”

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RESPOSTA A MARCONI CALDAS
JB do Lago

ECCE HOMO
Ecce Homo escondido dentro de mim
É o meu único ser absoluto humano
Verdadeiro super-homem da evolução
Minha espécie em revelação diária
No fazer-se sagrado do não revelado
Cria-se forte no crepúsculo do novo ser
Ecce Homo percebido dentro de mim
Que nunca teve princípio nem fim
Deifica-se em cada demônio endeusado
E assim nasce em cada alvorecer
Pleno de essência em cada si morrer
Para gerar no devir a consciência do ser
Ecce Homo ressentido dentro de mim
Ainda que se imagine e se queira finito
Atormentado pela vã filosofia – acredito!
Não me condicionará à ascese crística
Revelará no meu Eu contínuo e pleno
A saga evolutiva do humano total: Ser
(Este poema eu já o encaminhara para o Mestre Marconi Caldas já há algum tempo).

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A MEU PAI (Hoje completa 3 anos de morto).

CUMPLICIDADE

Oi, pai!
Faz dois anos
A gente não se vê.
Antes de partires havíamos combinado
Comemorar o meu aniversário, juntos.
Mas Deus nos pregou uma peça:
Na Sua divina pressa
Não lembrou da nossa promessa
E te levou para o eterno
Para cumprir novos projetos.
Acho que ele não foi legal
Deixando esta saudade descomunal
Num eterno vazio infernal
Uma dor que nem sei onde se aloja
Nem onde nasce, nem onde fenece.
Sabe, aquela poesia que fiz
Ficou guardada no baú do meu ser
Ela só se revelará no nosso reencontro
No tempo e no espaço da nossa repetição
Onde retomaremos nossa conversação.
Aí, então, pai
Mesmo que não aproves minha ação
Ralharei com Deus e Lho direi:
Não tornes novamente a nos separar
Se tentares não te perdoarei.
Oi, pai!
Estou te esperando para o meu aniversário…
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