Tags

, ,

ENCARCERADO

 

© De João Batista do Lago

 

Como me livrar de mim

Se de mim sou todo eu?

Como me encarcerar no poema

Se já sou a poesia?

 

Queria qualquer realidade

Para me ser real

Ante a mísera vida

Que desfila falsidades triangulares

E fere a rosa primeira

Posta no altar dos desgraçados

 

Sou-me assim

Perplexo de utopias

Calejado de andares desprevenidos

Vulgo qualquer nas cidades sem almas

Mendigo de paixões sem amores quaisquer

Vivente que se morre a cada amanhecer

Anúncios