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4 ESTAÇÕES DO SER

© De João Batista do Lago

O silêncio profundo atravessa a catedral

Olhares de penúria deslumbram dores

E a primavera recoberta de flores

Saca os horrores de corações despedaçados

E vai poluindo novas geras

Atormentadas pelas visões do modernismo

Uma semente floresce no deserto de pedras de concreto

Não mais há olhares para outros – nem mesmo para si –

Todos paridos estão num verão de mortos e acomodados

E há em cada um amarelecimento de seus pensamentos

Que despencam de árvores que já não mais frondam

Nem dominam a imensidão do outonal humano

Daí gerado morre-si numa noite de solstício da sua invernosidade

E então renasce como se fora o eterno de um “Sol Vencedor”

Entranhado de dores! E de flores! E crucificado dá-se como hóstia…

Não mais há jardins! Não mais oliveiras! Não mais há vinhos!

Habita-me a sede do conhecimento do novo e do eterno

E mata-me – aos pouquinhos – a lança profunda cravada no tempo

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