VERMES

© DE João Batista do Lago

Sinto o permanente asco da tua presença

Que, sem qualquer licença, perturba minha paz.

O volume que tua ossatura carrega

É castigo gerado pela insensatez da

Vermidade, que te faz sentido no

Palco dos teus pensamentos dissonantes.

Ó vermes que vomitam palavras com

Sabores e cores das açucenas – mas que

Logo se transformam em jazigos de ignomínias –,

Não se vos faltarão as eternas catacumbas

Que se vos servirão de abrigos comuns,

Enterrando os falsos sabores e as falsas cores de palavras vãs.

E nesse lugar recôndito vossos discursos são enxofres

Que exalam de gabinetes e púlpitos:

E falam de vossas pabulagens… E se vangloriam…

Esfalfam-se nos rapapés;

Trocam asnidades servis,

Herança duma gera podre de palavras vis.

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