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A minha casa era um rio de imensidão

Tão grande… tão grande… tão imenso 

Que todos os rios do mundo

Passavam pelo rio da minha casa

O rio da minha casa tinha algo de humano

Todas as noites ele vinha conversar comigo

Contava-me estórias mágicas… fantásticas

Dessas que a gente nunca mais esquece

Eram tantas as lendas que ele contava

E embalado pelas maravilhas eu navegava em suas águas

E nadava todo o percurso do rio que passava em minha casa

E navegava todos os rios que passam pelo rio da minha casa

A minha casa tinha um rio de águas profundas

Mansas, calmas, perenes e cristalinas

Águas que me abraçavam, que me acariciavam

Que me beijavam e que me amavam afetuosamente

O rio da minha casa quando me via triste

Chamava todos os rios do mundo

E dançavam ciranda ao meu redor

Até que vissem de novo um sorriso no meu rosto

Se por ventura chorasse de fome

O rio da minha casa e todos que passavam por ela

Pescavam o peixe mais belo

E me alimentavam até cessar a fome

Quando em noites escuras e sem luares

Noites que nos infestam de fantasmas

O rio da minha casa murmurava uma canção

E trazia com ela as mais belas princesas

Ah! O rio da minha casa não me deixava em solidão

Brigava com papai… ralhava com mamãe

E enchia suas almas de todos os cuidados

E os transformavam em verdadeiros espíritos de proteção

Assim era o rio daquela minha casa

Hoje vivo ao léu na minha caverna

A minha casa que era um rio de felicidade

Agora nada mais é que pântano. É cidade

Quantas saudades tenho daquele rio

De um rio que juntava todos os rios imensos do mundo

Do rio que passava na minha casa

Da minha casa que era o barco da felicidade

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