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Caimão Amazônica

© DE João Batista do Lago

Eu, que nem tive a primazia de te conhecer

Eu, que muitas vezes te acusei de tolo… idiota mesmo

Eu, que cheguei a duvidar dos teus ideais

Eu, que lamentei e chorei teu corpo crivado de balas:

Morrer, sim, mas crivado de balas, destroçado pelas baionetas, se não, não.” – dissestes um dia num verso quebrado duma poesia…

Eu, agora sei: tinhas razão!

De fato é preferível morrer crivado de balas, que morrer nesse rio caudaloso de corrupção;

Lentamente ver-me sendo afogado pela sanha maldita da miserável dominação

Que pouco a pouco, dia após dia, vai-me roubando águas e florestas;

Vai-me construindo exilado dentro do pouco verde que me resta: Amazônia!

Amazônia cantada e decantada pelos senhores donos do mundo

A nos plantar como grileiros no nosso próprio chão…

Agora eu sei, meu caro Chê,

Tinhas de fato toda razão!

Quem me dera agora – ainda que crivado de balas –

Tomar tua mão de menino

E transformar a Amazônia numa nova Caimão…

Quem me dera, hermano Chê!

Se tua coragem tivesse

Nossos hermanos índios não seriam soldados rasos da dominação

Por certo teriam consciência

Por certo saberiam da brasileira nação

Não se venderiam como encantados

Para morrerem, no futuro (todos!), enganados

Eu agora sei, hermano Chê, tinhas de fato razão!

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Curitiba (PR)

29/07/2008

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