A QUIMERA DA REPETIÇÃO
Escrito por joaopoetadobrasil em Setembro 26, 2007
A quimera da repetição
(…) e de repente de novo o povo é convocado para uma nova quimera
(…) e de repente de novo o povo atende ao apelo mesmamente
estamos diante de uma nova eleição
parece festa de São João
os brincantes meus-bois-bumbás
não percebem que se encontram currulados
nos arraiais da nação
que seus amos estão sempre-alertas
para lhes arrancar a língua
e servir com o pirão da inconsciência
o farto manjar na mesa da dominação
não basta devorar a consciência da população
para ser um bom ladrão…
é preciso mais que isso
é preciso comer a palavra da reação
(mesmo que esta reação
seja instintiva
não pensada
imemoriada
não-reativa)
não permitir que o boi entenda que no interior da sua força carrega tanta e tamanha libertação…
é preciso dissuadir
enganar é preciso
votar não é preciso não… com precisão
renovar a dentadura do Mimoso
é preciso
ajuda ruminar o chibé
(pirão feito com água, farinha de mandioca e açúcar ou mé, e por vezes temperado com cachaça e também com pimentão)
dar novos olhos ao Caprichoso
é preciso
ajuda a enxergar a inação da nação
falsa consciência do democrático
campo real da alienação
espaço institucional do bom ladrão
ah, esse cidadão…
(…) e de repente de novo o povo é convocado para uma nova quimera
(…) e de repente de novo o povo atende ao apelo mesmamente
e lá se vai o boi
inconsciente
para o matadouro:
manso
tranqüilo
calmo
alienaaaaaaado…
sem língua, mas
com dentadura
sem visão, mas
com óculos
feito povo marcado
feito gente desprezada
depositar na urna
o voto da esperança perdida
amanhã…
ah, quem sabe o amanhã…
(…) e de repente de novo o povo é convocado para uma nova quimera
(…) e de repente de novo o povo atende ao apelo mesmamente
…sem consciência da revolução
inconsciente da sua libertação
(in EU, PESCADOR DE ILUSÕES)
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