CHORO
© DE João Batista do Lago
Sonhei-te por toda noite
Vagando esmo entre pensares
Assimétricos, mas escorreitos,
Lânguidos como a tísica doença que
Empoeira os pulmões do mundo.
Oh! Os velhos sinais dos tempos meus,
Que de tão meus prostraram por terra
Os tempos teus vazados pelos poros
Salientes de nossos corpos, dormentes
Nas frias madrugadas curitibanas,
Vão-se longes e distantes da
Ausente presencialidade que
Torpedeia meus caminhares ilháticos nas
Sorumbáticas noites de versos sem poesia.
Meus cantos internos estão tristonhos,
Meus olhares fraternos cansados estão… E
Meus andares sobre os paralelepípedos
Tropeçam nas sarjetas de almas condenadas
Pelo escárnio do senhor de todos os senhores.
Entre todos, São Luis – maior dos ilhéus –, já é morta!
Agora condenada à presencialidade das misérias,
Frutos condecorados no Palácio dos Leões,
Reverbera no caldo da diversidade
Toda cultura da maranhensidade
Prostrada no verbo que não rima um sujeito, mas
Constrói indivíduos que perambulam pela cidade,
Outrora versos praguejados nas cachaças dos abrigos…
Os bondes levaram todos para a eternidade.
Quanto a mim resta-me o choro de todas as saudades!

