Utópica Intuição (V)
© DE João Batista do Lago
Rasgo meu coração atormentado
Viscerado pelas madrugadas indormidas
Cálido dos calores humanos
Destruídos pelos hinos das insônias
Soçobradas dos cansaços vomitados pelas almas
Hoje à noite quero o sono mais profundo
Adormecer no colo da utopia que me segreda
Como a criança ‘inda não nascida
Como a esperança ‘inda que desesperada
De todas as vidas desaparecidas nos campos de guerras
Hoje à noite quero a eternidade de todas minhas paixões
Quedá-la no meu peito com profundidade
Qual punhal (!)
Estraçalhando meu coração em mil paixões
E desta visceral volúpia arrancar-me de dentro como antihumano
Quero, enfim, nesta noite sacrossanta
Batizar-me de todos meus desejos
Tomar o corpo da minha amada, minha Temis!
E deitá-lo no mais profundo dos meus gozos
E sabê-lo eterno no tempo da eternidade que me restara
