Utópica Intuição (V)

25 08 2009

Utópica Intuição (V)

© DE João Batista do Lago

Rasgo meu coração atormentado
Viscerado pelas madrugadas indormidas
Cálido dos calores humanos
Destruídos pelos hinos das insônias
Soçobradas dos cansaços vomitados pelas almas

Hoje à noite quero o sono mais profundo
Adormecer no colo da utopia que me segreda
Como a criança ‘inda não nascida
Como a esperança ‘inda que desesperada
De todas as vidas desaparecidas nos campos de guerras

Hoje à noite quero a eternidade de todas minhas paixões
Quedá-la no meu peito com profundidade
Qual punhal (!)
Estraçalhando meu coração em mil paixões
E desta visceral volúpia arrancar-me de dentro como antihumano

Quero, enfim, nesta noite sacrossanta
Batizar-me de todos meus desejos
Tomar o corpo da minha amada, minha Temis!
E deitá-lo no mais profundo dos meus gozos
E sabê-lo eterno no tempo da eternidade que me restara





Utópica Intuição (IV)

12 08 2009

Utópica Intuição (IV)

Trago em mim todas as
Razões do possível
Realidade imanente de
Todas minhas possibilidades reais
– Ai, quem me dera poder sê-las! –
Eis, então, minha utopia
Eternamente guardada
– e segredada! – no meu
Peito-sacrário

Se ela eu pudesse a
Todos ofertar como
Única possibilidade de si
Seria a coisa sui:
Sem o calvário
Sem a árvore
Sem o beijo
Sem a falsa liberdade das correntes

Mas ela me há como coisa única!
É tanta e quanta que se me extrapola
E se revela como hóstia do não-sagrado
E se derrama pelo corpo que sangra
Todas as dores acumuladas pelos tempos

(Sou assim
E então
A não possibilidade real
Que corre nas veias de
Todo ser)





Utópica Intuição (III)

10 08 2009

Utópica Intuição (III)

© DE João Batista do Lago

Teu discurso viés
Antes ser uma utopia
É tua distopia
Deblaterada a toda nação.

Vê-se nele o topos
Da tua indignidade
Que como sátira é
Deblaterada do teu púlpito
Solitário
Onde só os vermes
São capazes de
Absorverem como alimento
Sagrado:
Hóstia que te impões
Diante dos olhos de
Súditos (também!) inconfessos
Nos quais te apóias
Para sustentar o teu
Oráculo.

Nossa utopia é a
Dignidade
É toda virtude
Efetivada no canto da sereia
Prestes a parir a
Paidéia.





Utópica Intuição (II)

6 08 2009

Utópica Intuição (II)

© DE João Batista Lago

Lavas minha utopia
Que do teu corpo sangra
Da mais profunda cavernosidade
A possibilidade única do existir…

E desse eterno ventre
Ouço apenas o fremir do
Verbo que jamais será carne
Na tessitura das almas…

(todas as almas!)





Utópica Intuição

5 08 2009

Utópica Intuição

© DE João Batista do Lago

Intuo da minha utopia
Toda possibilidade da
Minha mundidade vérsica
Distendida no Corpus da presença

Vago-a mundanamente
Entre meus dedos prenhes de
Mãos vazias sequeladas pelo tempo
Donde todos instantes são agora irrealidades

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