Sincronicidade
© DE João Batista do Lago
Aquietai-vos!
Minhas palavras são apenas marcas duma razão instintiva
Provocadas pela ânsia de séculos de solidão
Não há, portanto, qualquer razão
Para o choro convincente de almas penadas
Gemas de ovos que circundam a eternidade
Entendei-me!
Não vos falo da ignorância do ser do indivíduo
Convoco-os, entretanto, para a ceia da possibilidade do sujeito:
Tudo que se diz de si é sempre poesia
E nem mesmo as tormentas das maresias
Há-de sangrar o verbo feito da mais pura carne
Compreendei-vos!
Sois tão somente a vossa possibilidade de ser
Estrutura suprema dos vossos conheceres
Não vos percais no deserto a morrer de sede
Caminhai em direção ao poço de água rara
Donde, só de lá, saciarás a tua palavra cara

