A BALANÇA

31 01 2009

A Balança

© DE João Batista do Lago

 

João batista do Lago é poeta e escritor maranhense de Itapecurumirim

João Batista do Lago é poeta e escritor maranhense de Itapecurumirim

 

Do palácio das Liberdades

Nascem carnes podres

Podres de direitos

Podres de justiças…

E então os direitos

Acasalados com as justiças

Geram frigoríficos

Onde suas carnes são depuradas

Para serem vendidas aos homens

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A POESIA – De Platão a Ayres Britto

31 01 2009

A POESIA – De Platão a Ayres Britto

 

© DE João Batista do Lago

 

 

Ministro Carlos Britto

Ministro Carlos Britto

 

 

 

“Os Juízes precisam ler mais

poesia, romances e jornais

para entender mais a

realidade da sociedade.”

- Carlos Ayres Britto

 

 

Penso que a declaração feita pelo ministro do Supremo Tribunal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, devidamente aqui e agora epigrafada, para uma platéia de mais de 700 juízes do Brasil e do exterior, no decorrer desta semana, em Belém (PA), como parte do Fórum Social Mundial, não foi devidamente analisada. Isto se deveu, aos meus olhos, por incompetência, indiferença e omissão dos principais “sujeitos-atores” (mídia cultural, intelectuais, poetas, Academia Brasileira de Letras, por exemplo) que deveriam – e devem – multiplicar as palavras e o pensamento de Ayres Britto. Nem mesmo no campo da intelectualidade brasileira, e mais especificamente, no campo da poesia, viu-se qualquer deblateração entusiasmada sobre o conceito ali aplicado. A “grande imprensa”, que publicou a matéria, em linhas gerais, o fez a partir de release da Agência Brasil, órgão oficial de divulgação de notícias.

 

Isto significa que a Poesia e o Romance são “démodé”?

 

Absolutamente não. O que acontece é que há uma incapacidade generalizada internalizada, ou melhor, introjetada, no corpus da sociedade brasileira, resultado de políticas inexpressivas, por parte das três esferas de governo (municipais, estaduais e nacional), destinadas ao campo da culturalidade brasileira; bem assim, por parte de setores expressivos da chamada “indústria cultural”, da elite econômica e da burguesia de classes média e alta. Isto se deve, basicamente, a dois aspectos (complementários aos já citados): 1) educação de péssima qualidade; e, 2) professorado de baixo nível cultural. É neste ponto – aos meus olhos – que as palavras do ministro Ayres Britto são de valores fundamentais e de um significado excepcional: a formação do Homem (homem/mulher) brasileiro. É neste ponto que o magistrado agrega mais valor ao seu pensamento quando emite sinais para uma conotação da idéia que nos vem desde a Grécia antiga: a Paidéia – um conceito global que atrai para o seu interior outros conceitos tais como: Arte, Cultura, Literatura, Filosofia, Direito, Justiça, Poder, Ética…

 

Pois bem, quando o ministro Ayres Britto, naquela “Ágora”, incita os cidadãos ali presentes à leitura de Poesia, tem-se a impressão que ele estava falando e contestando e dialetizando para um tal “Sócrates platônico” – prosélito e sofista! – e não para o Sócrates, o filósofo. Aquele Sócrates, o platônico, aristocrata por essência, dizia que os poetas não deveriam fazer parte daquela sua cidade utópica (Vide República, Livro III), pois estes eram os enganadores do povo. É mister destacar, aqui e agora, que no interior do pensamento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral está implícito no “Sujeito do Direito” – os Juízes – o Poeta. Eis, pois, aqui, a beleza e a profundidade do discurso do magistrado brasileiro.

 

Os Poetas – leia-se: os juízes! -, sujeitos do Direito e da Justiça, não podem ser vistos ou entendidos, pura e simplesmente, como significantes vazios do Direito e da Justiça. Só aos Poetas cabem e competem todas as metáforas do direito e da justiça como garantia das liberdades individuais e coletivas – seja no campo pessoal, coletivo, público ou privado, institucional ou social. E para que o bom poeta produza o poema e a poesia ética e esteticamente mais perfeita é indispensável que ele – o Poeta de Ayres Britto – seja, por sua vez, produto da Paidéia. Ou seja, o Poeta tem que ser formado a partir de uma concepção de ser superior. Não “superior” no sentido aristocrático, não no sentido de um demiurgo, mas – de fato e de direito – no sentido de uma superioridade dos valores éticos, onde o Homem é a maior “possibilidade” de si.

 

E, ao findar este artigo, faço-o com um poema dedicado ao ministro Carlos Ayres Britto:

 

EU, MITO!

 

© DE João Batista do Lago

 

Os meus mitos

Estão insatisfeitos.

Não lhes tenho gerado,

Da lavoura do meu ser,

O alimento capaz

De os fazerem divinais

No Olimpo do meu caos.

 

Há muita desordem

No céu dos meus deuses;

Há muita digladiação.

No átrio da minha fortaleza

Mantenho a espada em riste:

Tentativa abstrata duma

Defesa de nadas!

 

Meus mitos não querem acreditar

Que os estou renegando!

Mal sabem eles da

Desgraçada sorte…

Ainda não descobriram

Que os condenei à morte:

- em mim estão encarcerados.

 

Roubei-lhes todo o poder.

Agora, antropofágico

- como um ciclope -,

vejo-os com o olhar uníssono

do supremo humano-deus-ser,

apenas sementes dialogais,

que vou plantando pelos campos seminais.

 

Assim estão todos os meus mitos:

Condenados aos meus suplícios;

Que lhes imponho sem perdão qualquer

Para que saibam que de mim não zombarão,

Pois deles apreendi o segredo (e)

Tomei por mulher minha mãe – Pandora! -

Que me gesta no ventre do caos agora.

 


João Batista do Lago é jornalista, poeta, escritor, teatrólogo e pesquisador.





EU, MITO!

30 01 2009

EU, MITO!

© DE João Batista do Lago

Os meus mitos

Estão insatisfeitos.

Não lhes tenho gerado,

Da lavoura do meu ser,

O alimento capaz

De os fazerem divinais

No Olimpo do meu caos.

 

Há muita desordem

No céu dos meus deuses;

Há muita digladiação.

No átrio da minha fortaleza

Mantenho a espada em riste:

Tentativa abstrata duma

Defesa de nadas!

 

Meus mitos não querem acreditar

Que os estou renegando!

Mal sabem eles da

Desgraçada sorte…

Ainda não descobriram

Que os condenei à morte:

- em mim estão encarcerados.

 

Roubei-lhes todo o poder.

Agora, antropofágico

– como um ciclope –,

vejo-os com o olhar uníssono

do supremo humano-deus-ser,

apenas sementes dialogais,

que vou plantando pelos campos seminais.

 

Assim estão todos os meus mitos:

Condenados aos meus suplícios;

Que lhes imponho sem perdão qualquer

Para que saibam que de mim não zombarão,

Pois deles apreendi o segredo (e)

Tomei por mulher minha mãe – Pandora! –

Que me gesta no ventre do caos agora. 





DO SUJEITO POSSÍVEL

21 01 2009

DO SUJEITO POSSÍVEL

 

(poema dedicado ao

Presidente Barack H. Obama

 

© DE João Batista do Lago

 

No quadro negro da Esperança surges

Como a esperança possível e

Tão necessitada.

Não à-toa todos os olhares de todo o mundo te viram

E te admiraram e te sonharam e te saudaram

Como “eus” próprios construtores duma nora era.

A Paz é possível! – Disseste-o.

Pensamos todos, então:

- A Esperança recalcada pela ganância da guerra

Há-de reverter o mundo para o caminho da Paz;

A ganância do dinheiro construtor das misérias

Há-de contribuir para saciar a sede e a fome;

A ganância dos insensatos e ímpios de toda sorte

Há-de refluir para se construir um novo mundo.

 

Sim, nós podemos!

Sim, tudo é possível!

Sim, a Esperança pode vencer o medo!

Sim, a Paz é uma necessidade possível!

Sim, a miséria pode ser vencida!

Sim, o trabalho pode ser garantido!

Sim, o lucro pode ser dividido!

Sim, as guerras podem ser vencidas!

 

- Eis a mão estendida para todos vós

Ó povos de todo o mundo;

Ó povos de todas as raças;

Ó povos de todas as religiões.

Eis que vos convoco para a nova era:

A construção da Paz é possível.

 

A possibilidade do novo Homem

Não é a possibilidade do homem só.

 

Temos, enfim, a possibilidade de um mundo novo

Que nasce dum ano novo num novo janeiro;

Dum homem novo que pare no leito-carne do mundo

Sujeitos capazes de estabelecer a revolução da paz radical.

 

Temos, assim, a possibilidade de renascer!

Renascer do ventre de todas as esperanças

Antes recalcadas e inférteis e estéreis.

 

Temos, pois, o direito e o dever de um novo ente:

Ser da Esperança.

Somos a Possibilidade do Ser.

 

* * * * *

 

OF THE POSSIBLE CITIZEN

 

(dedicated poem to

President Barack H. Obama)

 

© OF João Batista do Lago

 

In the black picture of the Hope you appear

As possible hope and

So needed.

Admired all looks turn you to the whole world

They had admired you to, they had dreamed and you, they had greeted and you

As “I” proper constructors of a new age.

The Peace is possible! – You said it.

We think all, then:

- The Hope stressed for the greed of the war

Have-of reverting the world for the way of the Peace;

The greed of the construction money of the miseries

Have-of contributing to satisfy the headquarters and the hunger;

The greed of the foolish and bad of all luck

Have-of flowing back to construct a new world.

 

Yes, we can!

Yes, everything is possible!

Yes, the Hope can win the fear!

Yes, the Peace is a possible necessity!

Yes, the misery can be won!

Yes, the work can be guaranteed!

Yes, the profit can be divided!

Yes, the wars can be won!

 

- Here it is the hand extended for all you

Ó the whole world peoples;

Ó peoples of all the races;

Ó peoples of all the religions.

Here it is I convoke that you for the new age:

The construction of the Peace is possible.

 

The possibility of the new Man

It is not the possibility of the man alone.

 

We have, at last, the possibility of a new world

That it is born of one year new in a new January;

Of a new man who stops in the stream bed-meat of the world

Citizens capable to establish the revolution of the radical peace.

 

We have, thus, the possibility of to be born of new!

To be born of new of the womb of all the hopes

Before stressed and infertile and barren.

 

We have, therefore, the right and the duty of a new being:

To be of the Hope.

We are the Possibility of the Being.





EIDÉTICO

17 01 2009

EIDÉTICO

 

© DE João Batista do Lago

 

Antes de ser exilado no Logos

Fui a significação do ser essencial;

Era a casa do silêncio.

Hoje estou preso no cárcere da linguagem:

antes da minha prisão era contato irrefletido,

agora sou sujeito de discursos reflexivos.

 

Preciso voltar às coisas mesmas!

Não quero ser apenas representação:

Sujeito que fala linguagem da irreflexão.

Hoje quero ser o bruto ser da palavra

e ter o mundo como anima do meu corpo

e ser a carne como anima da significação.





POSSIBILIDADE

14 01 2009

POSSIBILIDADE

 

© DE João Batista do Lago

 

Pretende o homem ser a

Verdade. Porém não sabe

Ser verdadeiro!

Para ser da verdade um

Guerreiro necessita, pois,

Ser verdadeiro!

 

Pobre do homem que mente

Pensando com ela ser verdadeiro;

Será de toda vida indigente

Da labuta será falso guerreiro.

Não verá, sequer, por um instante

A glória maior dum valente!

 

Será este homem a possibilidade

Possível desta saga guerreira?





A QUOTA

12 01 2009

A QUOTA

 

© DE João Batista do Lago

 

Minha quota de angústia

Restara nada num espaço

Que nunca me pertenceu

 

Toda ela é pura miséria

Espelho de mim e do eu

Luz irreflexa que morreu





CAMINHO DAS PEDRAS

11 01 2009

CAMINHO DAS PEDRAS

 

© DE João Batista do Lago

 

Estou do outro lado da estrada

Meus pés – já tão cansados! –

Medo tem de pisar o quente asfalto

Antes pelas pedras dos caminhos

Muito calejados…

 

Ensaio um retorno qualquer

A qualquer hora de qualquer instante

E meus pés pensam mais que mim

Colhendo pedras pelas estradas

Pedras, pedras e pedras… Pedras! Somente pedras.

 

Meus pés estão cansados de olharem estradas

De tão vazias sem chão batido,

De tão cheias de asfalto e pedras,

De tão vazias de terra molhada…

Eles querem o chão duma odisséia já bem distante

Quase esquecida pelos passos bêbedos

Dum viajante solitário e só

Pisando as pedras dum caminho esmo…

 

E sequiosos mais estão de tantas idas e vindas

De tantas sedes não saciadas

Pelas nascentes dos igarapés esturricados

E secos… E sem água… E sem nascentes…

Ah!

Meus pés têm bebido tantas e quantas pedras

Pelos caminhos,

Que se tornaram embarcações

Das pedras dos caminhos…

 

Eles têm comido tantas e quantas pedras

Pelo caminho!

Estão mesmo empanzinados das pedras

Ofertadas pelas estradas de pedras

Encontradas nos caminhos…

E continuam com fome

Os meus pés!

 

Ah!

Os meus pés continuam do outro lado da estrada:

Solitários e sós.

Continuam pisando pedras…

E só pedras!

Nos caminhos das pedras…

 

Eles querem a noite das pedras

Para ouvir o canto das sereias

Vindo do mais profundo mar…

Dum mar de pedras…

Eles querem se deitar na areia da praia

Colher conchas de pedras

Olhar o céu de pedras

E colher estrelas de pedras

Numa noite qualquer de pedras…

 

Ah!

Os meus pés

São as pedras do caminho

Dum poeta qualquer

Engenheiro dum caminho de pedras

E de pedras dum caminho

Que meus pés de pedra caminham…





ORAÇÃO AO OUTRO

8 01 2009

ORAÇÃO AO OUTRO

 

© DE João Batista do Lago

 

Vejo-te, Outro,

amor da minha conduta.

Tudo o mais, além de ti,

é ilusório;

Representação falsa dos românticos,

Naturalistas dum tempo de sonhos.

 

Vejo-te, Outro,

símbolo máximo da razão.

Tudo o mais, além de ti,

é desprezível;

Devaneios de encantos de seres diacrônicos,

Vidas que se arrastam sem o deus-mercado.

 

Vejo-te, Outro,

mercadoria do meu consumo.

Se nele não te encontras:

não és nada…

Vê-se, pois, não tens a alma dum cifrão.

 

Vejo-te, Outro,

com minha visão de lucro.

Se nela não te sonho:

nada vales…

És mercadoria podre – espírito sem capital!





APOCALIPSE

6 01 2009

APOCALIPSE

© DE João Batista do Lago

I
Amanhece e o sol do Oriente sangra
Pássaros e borboletas – anjos de aço –
Dão “bom dia!” de estanhos em fogos!
A velha Palestina – enclausurada! –
Parece mesmo condenada ao pranto eterno,
À miragem apocalíptica de João.

II
Da miserável conduta de Israel, todo um povo arde:
Crianças morrem…
Jovens morrem…
Mulheres morrem…
Homens morrem…
Uma nação morre…

III
Na Meca ecumênica dos poderosos
Onde o deus-mercado se abriga
Parlamenta-se a sorte da guerra
Discute-se uma faixa de terra – Gaza –
Onde um povo esquecido, e de miserável sorte,
Vê sobre si caírem flores de fogo

IV
Abre-se a terra – antes prometida! –
E dela surgem cavalos de ferro
Cuspindo palavras que torram corpos;
Que pisoteiam com seus cascos de aço
Corações de anjos que retornarão do enterro,
Para vingar a maldade da prostituta Israel

V
Do mar surgem peixes-fogo voadores e
carnívoros. Multiplicam-se e devoram as liberdades!
E a prostituta sorrir ao ver os filhos da promessa
Serem massacrados… Humilhados… Dizimados…
Sob a benevolência dum varão que imola,
Que mata sem paixão, pensando lavar seus pecados.

VI
Palestina! A velha senhora implora de joelhos
Um naco de terra para seus filhos plantarem o milho
E colherem a uva que lhes saciarão a fome e a sede…
Mas a nova prostituta – eterna bêbeda –
Banqueteia-se no palácio da Grande Tenda
E faz corte aos bezerros de ouro

VII
Antes do juízo final surgirá um anjo que anunciará:
“A famosa prostituta, aquela grande cidade, cairá!
E os reis do mundo inteiro que com ela deitaram,
E que comeram do milho e beberam do vinho da sua
Imoralidade; perecerão. Só então haverá liberdade.”
E um outro anjo dirá:

- Saia dessa cidade, meu povo!
Saiam todos dela
para não tomarem parte nos seus pecados
e para não participarem dos seus castigos!
Pois os seus pecados estão amontoados até o céu,
e Deus lembra das suas maldades.
Deem a ela o mesmo que ela deu a vocês;
paguem em dobro o que ela fez.
Encham a taça dela com bebida duas vezes mais forte
do que a bebida que ela preparou para vocês.
Deem a ela tanto sofrimento e tristeza
quanto luxo e glória ela deu a si mesma.
Porque ela pensa assim:
“Estou sentada aqui como rainha!
Não sou viúva e nunca mais vou sofrer!”
Por isso num mesmo dia
cairão sobre ela estas pragas:
doenças, dor e fome,
e ela será queimada no fogo.
Pois o Senhor Deus, que a julga, é poderoso.





UMA MENINA CHAMADA LUA NO REINO DO CAMBOJA

2 01 2009

UMA MENINA CHAMADA LUA

(Dedicada à jornalista

Cleisla Garcia, da

RecordNews)

 

 

© DE João Batista do Lago

 

Quanto vale uma Lua?

Us$ 50.

E lá se vai uma Lua

Presa por mãos desconhecidas…

Saída da miséria

Lua não tem saída!

Lua viaja novas estradas

Para encontrar novas misérias…

Agora seu corpo é a matéria

De mandarins do sexo

Ou mesmo a mão estendida

Nas esquinas dos trânsitos

 

As noites de Lua

São sempre noites negras

Escuras

Defloradas nos cabarés

Das carnes infantis

Ou são sempre noites negras

Escuras

De mãos estendidas como pequenas esmolés

 

Haverá algum dia nas noites

Escuras

Negras

Das noites de Lua?