Construtor
© DE João Batista do Lago
Quanta inveja me invade do joão-de-barro!
Como nenhum outro sujeito
constrói edifícios ao léu
mesmo que as tormentas
consumam seus prédios
eles retornam aos solos de aluvião
donde trabalham o novo barro
e produzem mansões no céu
O outro João
que nem de barro é
como nenhum outro sujeito
não sabe da vida produzir nada
pensa ser dono de tudo – só é água de enxurrada
não sabe do barro sequer
construir o ninho – mesmo de sapé
Como nenhum outro sujeito
mesmo que os sinos dobrem
no entardecer das seis
João-de-barro da lida não se separa
faz graça e namora e ampara
o ninho que será de três
no alvorecer das seis
Quem me dera João-de-barro ser!
Como nenhum outro sujeito
capaz de produzir a paz
mesmo a paz que vem de cada tormenta (e)
pudesse construir com os solos do aluvião
ninhos cozidos nos fornos do ser:
pássaro refratário – insubmisso – em cada alvorecer
Quanta inveja me invade de joão-de-barro não-ser!
Arquivado em: poesia | Etiquetado: Argentina, Brasil, Cidades, Curitiba, estados, Itapecurumirim, maranhão, mercosul, mercosur, Paraguai, Paraná, poema, poesia, Poesia Brasileira, poesia itapecuruense, poesia maranhense, São Luis, soneto, sudamerica, suramerica, surracionalismo, Uruguai, Venezuela
