SONETOS XXIV [© DE João Batista do Lago]

28 06 2008

SONETOS XXIV

© DE João Batista do Lago

Desditosa se me embalas os caminhares
Nos rastros que ficam pelos caminhos
Plantam-se avenidas de avessos olhares
Que me escrevem em rotos pergaminhos

Tantas e quantas rosas floriram os caminhos
Hoje murchas são marcas dum tempo roto
Em cada passo ficara a eterna vicissitude
Em cada pétala restara ambígua virtude

De todos és reina de eternas venturas
Nada se sustenta sem o teu consentir
És fio de navalha de todas criaturas

Muitos te a têm de forma aguerrida
Outros tantos te a têm sem nada sentir
Mas, todos querem de ti a própria Vida





Habitat

27 06 2008

HABITAT

© De João Batista do Lago

Habito-me de versos
Na casa dos meus fragmentos
Todos os meus lamentos
São quartos do meu prédio
Onde resido como ancião
Contestante.

Como minha juventude
– Salada de novas vidas! –
Ocra vermelha salgada
Debulhada na madeira do ser
Que me endurece a alma
Sustentáculo do vir-a-ser.

Habito-me, pois, com pavor
Rasgando os meus fragmentos
Presos pelos discernimentos
Torturados pelos intestinos
Vadios que me ejetam da nave:
Excremento de puro ser.

Assim habito-me: não-Ser
Disfuncional na funcionalidade
Substancial da presença
Marcada pela ausência do ser.
Habito-me, pois, assim:
Escala da vida dantes já morta!





SONETOS LXXVIII [© DE João Batista do Lago]

21 06 2008

© DE João Batista do Lago

LXXVIII

Avara! Mulher sem pena… Sem piedade.
Por que negas tanto a este ser mendigo,
A mim, andarilho, eterno bordigo (e)
Que vivo às margens da tua vontade?

Por que me negas o que Deus proveu,
Em ti, por obra e graça da Sua bondade;
Enfim, por que me negas o amor teu?

Tua beleza – prodígio da natureza! –
É o barco da vida que pretendo guiar
Os teus encantos, águas que pretendo singrar…

Então, por que me negas, avara mulher;
Por que me impões tamanho castigo?
Não! Não quero a sina eterna do bordigo.
Quero ser leme… Singrar teu corpo-mulher.





SONETOS LVIII [© DE João Batista do Lago]

21 06 2008

© DE João Batista do Lago

LVIII

Canta minh’alma triste… Canta! Cant’os
Versos tristes minha solidão inglória
Navegante d’um mar vil e tormentoso.

Não me há-de sobrevir vida sem ti
Sou-me condenado, pobre, desditoso.
Náufrago solitário de vida errante;
Miserável viajor se não te sou amante.

Qu’interesse há desta vida agora
Sem os abraços e o calor do teu corpo quente?
Ah! Quanta saudade do tempo d’outrora
Quanta falta faz o teu beijo ardente.

Não me há maior castigo, nem desdita,
Teus olhos brilharem por figura maldita:
Prefiro morrer à vida de tão triste sorte.





EPIFANIAS [© DE João Batista do Lago]

15 06 2008

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Epifanias

 

© DE João Batista do Lago

 

Meus espelhos são reveladores:

Todos são peças do escárnio

São formas de um fundo vazio

Nascendo a cada dia no silêncio do nada

Gerados no ventre do nunca alvorecer

Em cada qual há uma só revelação:

Maldito e sagrado; azeite e mel

Escorrendo pelos degraus do fel da sagração

Vou-me revelando em cada cais – mortais! –

Velhos repositórios de águas sem sais

Múltiplo da imanência do ser não-ser:

Representação da existência dos meus fins

Ora demônios, ora serafins – deus e diabo! –

Vago a diáspora do sujeito sem casca

Fruto maldito da árvore sem laços

De todos os espelhos um é revelação:

Sou arte da dicotomia na dupla face do ser

Representação final da arte da natureza

Sou corpo… Sou alma!

Além disso, mumificação de nadas





Fenomenologia

10 06 2008

Fenomenologia

 

© DE João Batista do Lago

 

Entre dois sacrários:

Útero e sepultura

Há-me toda pintura

Nelas residem

Deus e diado

Paraíso e inferno

Filho da carne e do barro

Top secret in the world

Desvelado no escárnio do sagrado

Manifesto santo e demônio

Imanente d’alma e espírito

Falsário do meu patrimônio

 

[...]

 

Que sacrário me revelará da

Felicidade e da justiça; do

Poder e da virtude; do

Abismo e do cume; da

Vida e da morte?

 

Que espelho, enfim, me desvendará:

Deus ou diabo?





Pós-Modernidade

7 06 2008

DE João Batista do Lago

Sentado sobre a pirâmide do Universo

Desmonta-se o verbo da carne

Falece a palavra do verso (e)

Sobre o ser cresce

O que logo adiante falece

Nenhuma felicidade se oferece

Na imensa solidão do mercado

As gentes condenadas

São gentes marcadas

Na introspecção de nadas

Ah! A Poesia da felicidade

Fede na latrina da feliz cidade

Algoz de gentes marcadas:

O preço de cada indivíduo

Venera na gôndola a miséria





Se você se apaixonar por mim…

3 06 2008

Se você se apaixonar por mim

© DE João Batista do Lago

Ah! Se você se apaixonar por mim

Não diga nada

Por favor, fique calada

Não deixe que ninguém saiba, além de mim

Se você se apaixonar por mim

Deixe-me ouvi-la dizer:

“- quero-te florindo o meu jardim”

Deixe-me, assim, ser flor de lótus: jasmim

Se você se apaixonar por mim

Dá-me a piscada disfarçada… E vai

Eu te seguirei pelos caminhos (e)

Sem chamar atenção te encontrarei no nosso ninho

Se você se apaixonar por mim

Assim, bem devagar… Devagarzinho

Entregar-te-ei todo meu amorzinho (e)

Sem desfaçatez amar-te-ei sem sensatez

Se você se apaixonar por mim

O mundo inteiro abrirá o sorriso eternidade

Anjos – do céu – ou demônios – do inferno –

Tocarão trombetas para nosso amor eterno

Se você se apaixonar por mim

A paixão restabelecerá o mundo

O amor rejubilará todo universo

E nós seremos eternos serafins

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Curitiba-Paraná-Brasil

02 de junho de 2008