Compreendidade
© DE João Batista do Lago
Disse-o a todos um dia na eterna juventude
Quanto e tanto amo-te pela vida afora
Entretanto, tu, jamais a saberias
Fostes só silêncio! Não sei o que dizer agora
Amo-te, assim… Assim, eternamente
Amo-te por toda vida só em mim
Jamais pude ter-te junto ao peito solenemente
Falar-te do fogo que me queima a alma em paixão
Ebulição tamanha rasgando as veias das minhas emoções
Dilacerados os meus pensares estão
Agora, passado tanto e quanto tempo
Vejo: resta-me de tanto amor apenas solidão
Mas se pudesse dizer-te agora o quanto a amo
Faria deste meu ocaso uma eterna declaração
Diria: sou mais leve agora nesta juventude de ancião
Sou-o mais sábio silenciosamente em mim
Compreendo, pois, o teu eterno silêncio
Mar revolto que me banha o ser sem tormento
Sou-o eterno na eternidade do silêncio do tempo
Compreendido desde a primeira paixão ao último amor
Sou-o, sim, a compreensão do silêncio por toda vida só em mim
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Curitiba/2008
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