Do Tempo e do Ser

9 02 2008

Do Tempo e do Ser
(Para Henrique Sousa e Ashera)


© De João Batista do Lago
Está-se aproximando o Tempo do regresso
é preciso retornar aos caminhos
juntar cacos do Ser espalhados por aí.


É preciso juntar os pedaços dos olhares
deixados nos Tempos de miseráveis dores
e transformá-los em Ser: buquê de flores.


É preciso alinhar os pensamentos
abandonados pelos caminhos dos lamentos
resgatar o espírito do Ser sem tormentos.


É preciso sentir o pulsar do coração
ouví-lo em silêncio como quem faz oração
ao Ser que corre nas veias de toda geração.


É preciso dar-se as mãos sem pejo de amá-las
juntar os afagos deixados ao Tempo nas velhas estradas
perdidos pelos caminhos dum Ser de mágoas.


É preciso reinventar os passos das caminhadas
fazer deles o Tempo de um novo Ser
pisar com os pés de rosas os espinhos do alvorecer.


Enfim…


Está-se aproximando o Tempo do regresso
é urgente tirar de suas entranhas velhas companhias
deixar florescer em sua plenitude toda virtude do Ser.





Minha Solidão

9 02 2008

Minha Solidão


De João Batista do Lago


Carrego como massa da minha ossatura
a leveza interna do meu espelho
guardado no mais puro sacrário da minh’alma.
É de lá que vem minha hóstia
- seja sagrada; seja maldita -
mas a tomo como alimento de toda vida.
Ah, solidão! Solidão que de mim cria
universos de representações sonâmbulas
contigo levas às almas minha imagem de alegria.