Escrito por joaopoetadobrasil em Fevereiro 22, 2008
Poema Louco
© DE João Batista do Lago
Durante todo esse tempo
tenho procurado alcançar
um não-sei-quê de divinal
tenho andado atarefado
tropeçando nos meus ais
acordes da canção de uma só nota
venho dos velhos mundos
sem nunca saber do novo
sou filho do moderno
sem a essência do passado
Sou cigano
vagabundo deste mundo
inconfesso
de mim nada sei
nem se sorri
nem se chorei
apelei ao meu sacrário
nele ser guardado
tornei-me mostruário
dessa vida miserável
agora meus velhos ontens
choram a insensatez de meus hojes
Já não existem cristais
que possam quebrar meus olhares
já os feriram tanto
nas sextavadas noites de luares
de negras nuvens
nem mesmo sonhos brilham
diante do meu pranto
Se vago tanto
Inexistente
oro como vagabundo penitente
tento encontrar o inascido
do que só em mim se há gerado
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Escrito por joaopoetadobrasil em Fevereiro 16, 2008
Velório
© De João Batista do Lago
No meio da sala velo minh’alma
Que me olha com dentes escancarados
Abrigada nos quatro cantos do mundo
Donde sorri das minhas dores
E qual punhal que sangra ventos
Rasga o meu profundo nada
Donde as vísceras jorram todo escarro
Da hóstia nunca sagrada do homem puro
“És nada!” – grita a alma pois então morta –
Nasceste do miserável sagrado sem Deus.
Como há-de me querer velar como eterno
Se tens apenas teu féretro como única posse?”
E lá do meio da sala onde velo minh’alma
Nada posso fazer para alcançá-la…
E ela se esgarça zombeteira em cada gargalhada
Enquanto eu no meio da sala tramo matá-la
E assim me dano feito cão vagabundo
Que nem mesmo a lepra de Lázaro tem para a lamber
Já que sou única testemunha deste infeliz velório
Da minh’alma que se me sorrir à-toa
[…]
No meio da sala velo minh’alma que aos poucos se afasta…
E de mim voa.
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Escrito por joaopoetadobrasil em Fevereiro 9, 2008
Do Tempo e do Ser
(Para Henrique Sousa e Ashera)
© De João Batista do Lago
Está-se aproximando o Tempo do regresso
é preciso retornar aos caminhos
juntar cacos do Ser espalhados por aí.
É preciso juntar os pedaços dos olhares
deixados nos Tempos de miseráveis dores
e transformá-los em Ser: buquê de flores.
É preciso alinhar os pensamentos
abandonados pelos caminhos dos lamentos
resgatar o espírito do Ser sem tormentos.
É preciso sentir o pulsar do coração
ouví-lo em silêncio como quem faz oração
ao Ser que corre nas veias de toda geração.
É preciso dar-se as mãos sem pejo de amá-las
juntar os afagos deixados ao Tempo nas velhas estradas
perdidos pelos caminhos dum Ser de mágoas.
É preciso reinventar os passos das caminhadas
fazer deles o Tempo de um novo Ser
pisar com os pés de rosas os espinhos do alvorecer.
Enfim…
Está-se aproximando o Tempo do regresso
é urgente tirar de suas entranhas velhas companhias
deixar florescer em sua plenitude toda virtude do Ser.
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Escrito por joaopoetadobrasil em Fevereiro 9, 2008
Minha Solidão
De João Batista do Lago
Carrego como massa da minha ossatura
a leveza interna do meu espelho
guardado no mais puro sacrário da minh’alma.
É de lá que vem minha hóstia
- seja sagrada; seja maldita -
mas a tomo como alimento de toda vida.
Ah, solidão! Solidão que de mim cria
universos de representações sonâmbulas
contigo levas às almas minha imagem de alegria.
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Escrito por joaopoetadobrasil em Fevereiro 4, 2008
CICLO
© De João Batista do Lago
Mato-me quando findo dia
Mato-me quando findo noite
E neste ciclo de me morrer
Nasço na morte do dia
Nasço na morte da noite
Nascer do dia! Nascer da noite!
E de cada morrer-me
E de cada nascer-me
Espero o tempo da semente
Que me há na eternidade
Dum espírito superior
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