OBLATAS

OBLATAS

© De João Batista do Lago

Sinto deste Natal apenas o gosto amargo do fel
Não vejo nenhuma escritura que fale dessa obsessão
Não há literatura que relate tamanha vergonha
Dessa criatura louvada pela torpeza dos homens
Que buscam uma vez mais a desrazão da riqueza
Na perene sutileza de louvar o Filho do Deus

Possivelmente não terei nenhuma razão
Para contrariar os senhores donos do mundo
Que fazem festa para obrar toda dominação
Que do engodo do mercado fazem uma só oração
Razão suprema dum povo deserdado
Fiéis professos da procissão dos adestrados

Sou de todos assim louco defenestrado
Mago não guiado pela estrela do consumo
Indigno de viver num mundo administrado
Lixo na festa do menino-deus-mercado
Que a todos vê como oradores encantados
Fiéis oblatos da religião dos engalanados

Uma resposta

  1. Lindo poema. De fato, o consumo desenfreado tornou-se, há muito, a razão central do Natal. Pessoas se amassam nos ’shoppings centers’, endividam-se, desgastam-se, para comprar e comprar e comprar,… esquecendo-se que o objetivo dessa festa é a maior confraternização, o que pode ser feito de modo livre, sem que, para isso, tenha o homem que ser escravo das regras impostas pelo mercado.

    FELIZ
    (André L. Soares)
    .
    De hoje até sempre,
    fica estabelecido:
    todos os corações serão puros,…
    tão abertos e francos
    quantos os sorrisos;
    a partir de então,
    pela graça
    de um presente Divino,
    só haverá manhãs de sol
    e todos os dias
    serão ‘domingo’!
    .
    .
    .

    João Batista,… muito obrigado por caminhar esse ano ao meu lado.
    Feliz Natal e próspero Ano Novo!

    André L. Soares
    .
    .
    .

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