INFERNO
© De João Batista do Lago
Quem me dera morto havê-lo nascido
A rosa que de mim tão bela não teria murchado
A vida não me houvera como sacrifício
E eu nas alamedas cortando a selva de pedra com o machado
Quem me dera morto não teria crescido
Feito lobo faminto dessa selva de ensandecidos
Não mostraria os dentes para saldar os já vencidos
Desta guerra sem fim dos que em si nunca foram nascidos
Quem me dera morto a rosa sobreviveria
Porque vivo as pétalas choram em mim o eterno
Sabem do tormento que é viver nesse inferno
O morto que mesmo vivo é preso de sua cadaveria
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Belíssima poesia, mas triste demais para mim que amo e canto a vida em cada verso.
Ah! meu querido poeta, bem quisera repartir contigo a imensa gratidão e o meu perene deslumbramento pela ventura e a incansável aventura de viver.
Leio teu poema nestas vésperas de Natal e te saúdo com as vibrações fraternas destes dias, lembrando-te das sublimes imagens daquele Poeta Maior que, há 2.000 anos, nos falou das “aves do céu” e dos “lírios do campo”.
Pois diante de tua “rosa que murchou” e de “tuas pétalas que choram”, que sejam para ti, meu irmão na poesia, o sabor imperecível daqueles versos, declamados no “Sermão da Montanha”, falando do amor, do perdão e da esperança; falando do caminho, da verdade e da vida, no singelo lirismo das bem-aventuranças.