CONTRADIÇÕES
CONTRADIÇÕES
by João Batista do Lago
Quem tu és?
Perguntaram-me certos dias.
Nunca imaginei
A questão assim
Tão saliente
Antes, porém
Pensei na Filosofia
Aquilo parecia alegoria
Quem sou!
- Sou o abstrato?!
- Sou o concreto?!
Quando verdade
Sou mentira
Na realidade
Se me penso livre
Estou preso à cidade
Onde não há liberdade
Acredito-me crente
- ah, esse tolo inocente
é apenas um ser carente
Sou um socialista…
Anticapitalista eu sou
Síntese: um mero sofista
Sou o todo
Também parte eu sou
Resultado: sou Único
Sou o ator
Sou o teatro
Sou tragédia e a dor
Sou o vernáculo
Na inação da nação
Sou sem-linguagem
Sou o sim
Assim o não eu sou
Da certeza a incerteza
Do início sou o fim
Da explosão sou a poeira
Recluso na terra-lixeira
Quando sou noite
Do outro lado estou dia
Antiduplo em sodomia
Assim eu sou
O perto e o longe
O diabo e o monge
Do amor sou o ódio
Do verso a não-palavra
Apenas rima sem lavra
Assim sou eu
Se crente sou ateu
Do humano o pigmeu
