MARAVILHISMO

31 10 2007

MARAVILHISMO

© by João Batista do Lago

Pari-me aqui e acolá de
Mãe eterna assexuada
Sou assim parteiro de mim
– eu mesmo enfim –
Gritei toda dor placentada

A noite muda gritou no dia
Fez reverência a toda miséria:
“Maravilhas!” – soaram as cornetas
Heróicas torres das Artes
Aqui e acolá foram feitas

O século agora pode exibir
Pode ofertar aos proxenetas
Pode da Virtude querer exigir
Salmos e cânticos a baionetas
Dizer a todos: “Venham ao elixir”

Encantados – o parteiro e eu –
Segredados em noite e em dia
Parimo-nos no poeta, no artista
Brindamos à cortesia capitalista
Damos graças à fome em agonia

Agora não são apenas sete os ricos
Também não são apenas as sete irmãs
Pari-me aqui e acolá – há-me em todo lugar –
Até no alto do morro está Alá a brilhar
Abraçando a miséria em farto ejacular

Maravilha-se: “Ó santa pobreza!
Tua é a miséria e minha é a beleza
Manter-vos-ei sob os meus pés
Guardar-vos-ei nos sopés da montanha
Guarda-alma de miséria tamanha”





IMAGINEI FAZER UM POEMA DE AMOR

29 10 2007

IMAGINEI FAZER UM POEMA DE AMOR

© by João Batista do Lago

Imaginei fazer um poema de amor
Cantar a beleza da vida
Falar dos rios – e dos peixes
Conversar com os animais
Sentar-me à sombra de uma mangueira
Escutar a voz do vento
Ouvir a sinfonia da floresta…

Imaginei…
Imaginei fazer um poema de amor!

Mas como cantar a vida
Se dela toda sorte é toda morte?
Como falar com os rios – e os peixes –
Se deles restam apenas sorte?
O que conversar com os animais
Se eles são apenas restos mortais?

Imaginei…
Imaginei fazer um poema de amor!

As mangueiras sem sombras estão
São sós carvão e brasa – e fogo –
O vento – quanta magia! – já não assovia
Virou aluvião: pavor e inundação
As florestas! Ah, essas então, pedem socorro
E executam em pranto seu último réquiem

Imaginei fazer um poema de amor
Mas toda miragem lírica era somente dor!





IDEOGRAMA

28 10 2007

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IDEOGRAMA

© by João Batista do Lago

Hoje acordei com alma da Paixão
Quero este dia na minha eternidade
Reencontrar a criança que deixei lá atrás
Reviver minha infância (e)
Retornar a adolescência (e)
Reencontrar-me eterno neste instante

Hoje estou apaixonado pelo Amor
Quero-o em sua plenitude
Tomar tua mão… Andar por aí…
Passear em teu corpo sem pedir perdão
Sentir o teu gosto de açucena
O teu perfume de mulher

Ah, hoje acordei como as árvores
Translúcido de galhos e de frutos
Prenhe de orvalhos desnudos
Sedento em saciar a sede da Virtude
Plena raiz de harmonia com a terra-mãe
Sem pedir perdão para ser feliz

Hoje sou a Paz mais profunda
Desperto para o abraço mais apertado
Trago n’alma toda ideografia do Amor
Tatuagem plena de saber-te Eu
Sinal de quem deseja derrotar a dor
Marca da vitória sobre o Homem sofredor





HEDONISMO

27 10 2007

HEDONISMO

© by João Batista do Lago

O capricho dos deuses
É pura ignomínia
Destinaram-me aos prazeres
Mas roubaram-me a hedonímia…

Assim subjugado
Maldito e condenado
Carrego este fado

Maldito – repito! – este destino
Que me tira o rumo e o tino
Das vidas outrora prazerosas
Entre deusas amorosas
Que a Juventude carnosa
Virtuosa e valorosa – em rosa
Reinava em bacantes dionisíacas

Depois dos vários prazeres
Restou-me deles os faleceres
Das fugacidades vivídicas
Hoje nem mesmo os saberes
De aretes apolínicas são verídicas
Aretes não são hedônicas – são vidas jurídicas
Distante – e longe – das bacantes dionisíacas

Mas negam-se os deuses
Aceitarem tamanha tirania
Desde os tempos de Elêusis
E para resgatar a Ética
O grande Zeus já dizia:
“- Não são os deuses, mas sim os próprios homens,
que pela sua imprudência aumentam os seus males”.

[…]

Maldito e condenado
Carregando este fado
Assim subjugado

Este Homem sem destino – sem tino
Segue transferindo seus lamentos
Procurando encontrar para suas dores
Um campo dêitico para deitar seus horrores





GÊNESE DA MORTE

26 10 2007

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GÊNESE DA MORTE

 

© by João Batista do Lago

 

Ó criatura iluminada da minha existência

Vinde a mim com tua soberania imaculada (e)

Viajemos pelos túneis diversos dos tempos

Que nos revelam o espaço de novas moradas

 

Vinde, ó doce criatura, em majestosa carruagem

Traze contigo as jovens filhas do Sol

Para que possamos atravessar o mágico portal

Que nos levará à eqüidade voluptuosa do fogo eterno

 

Vinde e traze contigo o fogo do deus Sol

Para queimar o meu tempo invernoso

Para que assim eu não retorne às casas noturnas

Onde só a escuridão e o sono são companheiros

 

Vinde, ó santa criatura, atravessemos os umbrais

Ainda que eles nos queiram impingir as dores

Dores do parto que havemos de fazer (e assim)

Quebrar os grilhões de amores infaustos

 

Vinde, ó irmã gémea, vida do meu ser

Filha, como eu, do templo do Saber

Templo que tudo principia – e finda! –

Templo do instante, senhor de toda democracia

 

Vinde, ó espírito do meu espírito,

Viver não é preciso não… Morrer toda Necessidade!

Necessidade do Princípio sem início

Sem as correntes que sufocam toda Verdade

 

Vinde, enfim, ó bela e santa Morte!

Gruda-me ao peito e me carregas ao seio

Quero contigo sorver do vinho da Virtude

Quero contigo embriagar-me nas vinhas da Justiça

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Crédito da Ilustração: http://www.asletrastortas.blogger.com.br/demon2.jpg




EUNOMIA

25 10 2007

EUNOMIA

© by João Batista do Lago

Não sou filho,
Apenas – e só –,
da Idiotia.
Mas sou filho,
Apenas – tão só –,
da Política:
na transcendência
sou imanência;
do divino, sou o profano;
da exterioridade sou a subjetividade;
da phisys sou o espírito;
no sensível sou res extensa
no inteligível sou res cogitans

[…]

Sim, sou filho
Apenas – e só –
da Metafísica,
da Matemática,
da Ilusão e
assim sou Razão.

[…]

Sou Zeus.
Sou Mito.
Sou Deus.

[…]

Sou tríade:
Idéia Absoluta.
Uno.

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ETERNA PAIXÃO

24 10 2007

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ETERNA PAIXÃO

© by João Batista do Lago

Como jardineiro solitário
Reguei cada flor dos (nossos)
Desencontros nunca marcados (e)
Em cada rosa
Plantei uma pétala de versos
Pensando um dia ela fosse colhida
Pelas mãos da Justiça
Oh! Themis
Hoje trago espinhos nas mãos (e)
A mesma esperança d’um dia
Ser-te espada e balança (e)
Com a doçura do nosso amor-criança
Ver nascer do jardim-infância
Aquele amor-paixão (quase)
Esquecido no jardim da ilusão





ESTÉTICA

23 10 2007

ESTÉTICA

© by João Batista do Lago

Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer –,
engenheiro de pedras-mortas;
sou arquiteto da Palavra em Água.

Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer –,
engenheiro de formas tortas;
sou arquiteto da Virtude em Fogo.

Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer –,
engenheiro de paredes em desalinho;
sou arquiteto do Belo que se há no Ar.

Não sou, sob hipótese qualquer
- como pretendes fazer crer –,
engenheiro de toda dor e da guerra
sou arquiteto do Amor que se há na Terra

[...]

Sou engenheiro da Palavra,
Arquiteto da Virtude e do Belo.
Na minha terra não há guerra,
Só o amor-paixão em paralelo.

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EQUUUS EST

22 10 2007

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EQUUS EST

© by João Batista do Lago

Ah, os cavalos! Tão belos… tão sensuais!
Símbolo de deuses… e de todas as deusas!
Representantes de todas as belezas
Troféu de vencedores sobre os vassalos
Assim são os cavalos!
Fiéis adversários de homens – e de deuses
Encantantes de todas as musas – e de mulheres
Estética da força e da potência
E das fêmeas toda vontade de querência
Assim são os cavalos!

D’outro e deste lado dos mares
As Náusicaas de Ulisses reúnem
Nos seus muitos cantares
Seus sonhos em belos vagares
E ofertam-nos aos seus cavalos
Deixando aos homens – esses vassalos! –
A perfídia de não serem cavalos…
De apenas serem vulgares humanos
Por isso não são homens capazes
De serem amados como os muares

Ainda que somente em sonho fosse
Quem me dera poder ter-te sobre o torso
Ungir teu sexo na minha pele… no meu corpo
Viajar contigo sobre os mares toda volúpia
Sobrevoar para além dos ares
Até atingir o paraíso dos amores
Até nos extasiar de gozos cavalares
Ah, que bom seria ser-me Centauro!
Assim não sentiria culpa de ser vassalo
Assim seria teu amante… Teu homem-cavalo

[…]

(Esses tão-prazerosos gozos por cavalos
fazem-me deles, todos, ter ciúmes…
Representação da mente racional,
aparência tão-somente do homem animal.)

 

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ODE A SÃO LUIS

21 10 2007

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ODE A SÃO LUIS

© by João Batista do Lago

Ó tu, leito-mãe dos Tupinambás
Reina dos mares do Sul, sois vós
Vitoriosa, oh! amada Upaon-açu
Carregas nome e cetro de realeza
N’alma saber e virtude de Atenas
No peito o brasão de viva Natureza

Ó tu, São Luís – Ilha dos Amores!
Amada de francos, lusos e neerlandeses
Sois vós o encanto de Arúspice
Profeta da vossa eterna glória e pureza:
- Vosso destino é conservar em si toda beleza
serás deste teu Orfeu a eterna Eurídice

Ó tu, São Luís – Jamaica brasileira
Sou-vos grato pela vida inteira pois
Sabei-vos de muitos ser uma só pessoa
Jamais vos deixaste vencer. Sois guerreira!
Ainda que vos queira estuprar o monstro da modernice
Haverá sempre um filho teu que não fugirá a luta

Ó tu, São Luís – Cidade dos Azulejos
Perdoai o jugo da desgraçada sorte (e)
Tomai por exemplo o Cristo da hora da morte
Perdoai os filhos que vos sangra em realejos
Todos serão defenestrados, enfim, para que
Possamos amar-vos entre ruas e curvas de azulejos

Crédito da Ilustração: http://www.mhariolincoln.jor.br





EPITÁFIO

20 10 2007

 

EPITÁFIO©

Enterrem-me, quando eu morrer,

No cemitério de vossos corações;

E me deixai consumir toda agrura

Que em vós, porventura,

Há de percorrer em ilusões.

Enterrem-me, quando eu morrer,

Como se enterra um moribundo.

Deixai todo pensamento vagabundo

Para que eu o consuma deste mundo

Restando assim, a vós, toda felicidade.

E quando já bem distante… já bem morrido

Vereis a dor consumida no verbo do poeta

E então percebereis que o verso guardião

Da poesia antitética restara única salvação

De toda massa contida na antinômica solidão:

Jaz aqui, em qualquer coração,

Sem amarras… sem qualquer ilusão

Todas as dores do mundo

Todo o amor vagabundo

Do poeta que em vida fora João.

 

 

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ECCE HOMO©

19 10 2007

ECCE HOMO©

(Para Marconi Caldas

e Nauro Machado

– cânones da poesia maranhense)

 

Ecce Homo escondido dentro de mim

É o meu único ser absoluto humano

Verdadeiro super-homem da evolução

Minha espécie em revelação diária

No fazer-se sagrado do não revelado

Cria-se forte no crepúsculo do novo ser

 

Ecce Homo percebido dentro de mim

Que nunca teve princípio nem fim

Deifica-se em cada demônio endeusado

E assim nasce em cada alvorecer

Pleno de essência em cada “si” morrer

Para gerar no devir a consciência do ser

 

Ecce Homo ressentido dentro de mim

Ainda que se imagine e se queira finito

Atormentado pela vã filosofia – acredito!

Não me condicionará a ascese crística

Revelará no meu Eu contínuo e pleno

A saga evolutiva do humano total: Ser





URUBU-REI

18 10 2007

 

URUBUS DE FOGO©

 

 

(Para Neiva Moreira e Freitas Diniz)

 

O céu é de brigadeiro
Lá bem alto o Urubu-rei espreita
Vasculha o terreno com olhos de rapina
Sente o exalar da fedentina vitorinista
Prepara-se então para sua saga carniceira
Que se revelará no futuro imediato
Sob o manto da bossa-nova
O patrono-mor das misérias marânhicas

 

O Urubu-rei então já possuidor da carcaça
Abre suas asas e anuncia o seu domínio
Deblatera em alto e bom som o seu reinado
E aos poucos vai construindo-se potentado
Sob a mira de olhares das gentes inconscientes
Incapazes de verem à sua frente o fogo voraz
Da mente contumaz da miséria sagaz
Deste Maranhão que dorme sob as suas asas

 

Mas o Maranhão que não é só maranhão
Não quererá mais quatro décadas de dominação
E grita: “- É chegada a hora da redenção!”
E assim retoma para si toda dignidade
Resgata a honradez cidadã e a liberdade
O desejo de construir o seu novo mundo
Sem permitir que qualquer vagabundo
Subjugue tão-somente a nação marânhica valente

 

 

(Urubus são urubus – mesmo os de fogo e rei
Das terras do Maranhão não mais se apossarão
Feitos donatários republicanos de plantão, pois
Em terras do Maranhão há, por certo, nova nação!)

 

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¿DONDE ESTAS AHORA EVITA?

16 10 2007

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¿Donde estas, ahora, Evita?

 

by João Batista do Lago

 

Queda en mí un deseo increíble
De olvidarte entre muchas mujeres
Pero ellas non sí sostienen – como tu –
Mujeres llanas de pasión por su pueblo

 

Deseo, mismo como un brasileño,
Ofrecerla mi respeto por tu garra
Creerla entre las deudas gobernantes
Del pueblo – tu mas querido sentido de la vida

 

No hay mas Evita entre nosotros
No tengamos mas madrecita, sino
Padrastros de todas la miserabilidad
Señores de la ganancia carrasca

 

Mira por tu pueblo, madre Evita
Nuestra suerte esta en tu manos
Tengas compasión por nuestra suerte
Nosotros también somos tus hijos

http://www.nyu.edu/classes/keefer/ww1/evita4.jpg
 
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DIÁLOGO DE ATHENAS

15 10 2007

sao_luis.jpg

 

DIÁLOGO DE ATHENAS
(Réquiem a São Luis)

Para Nauro Machado,
poeta maior do Maranhão

 

by João Batista do Lago

 

- Olá, poeta.
Há quanto tempo não nos víamos!

 

- Que olhares,
Que visões têm da ilha?

 

- Carrego ainda olhares de Athenas,
Visões de um tempo de querências.

 

- Ainda bem que podes tê-las,
Pois cá não mais a temos… Tudo é demência!

 

- Da arte que conhecestes pouca coisa restou.
Hoje há muita miséria, violência e dor,

 

os jardins da cidade não têm mais flores,
as rosas sumiram, os jasmins secaram.

 

Sobraram as dores dos desamores
e a cidade poeta virou bandida.

 

Hoje as almas são dormentes ambulantes
De um bonde carregado de miseráveis,

 

de miseráveis criaturas sem espaço,
sem rosto, sem fé, vermes sem sacristia,

 

carentes e tolos viventes de vida sem vida,
sem qualquer guarida de telhados e azulejos,

 

sem histórias, sem eira nem beira,
sem mar e sem praias, sem sal e sem terra.

 

Ó, poeta,
as gentes dessa cidade já não têm sol

 

e nem mesmo a lua flutua em suas almas
para lhes sincronizar a sinfonia de Dionísio,

 

pois elas perderam o riso da harmonia
e se tornaram almas mortas de agonias.

 

A cidade, poeta, hoje é “apenas”
alma que pena suas dores e seus horrores,

 

dissimulada de Athenas sem cantores,
sem poetas, sem poesia,

 

ilhada no besteirol da vaidade comum
pensada, apenas, na vermelha lama do consumo.

 

É assim, hoje, a tua ilha: cercada de grilhões
que aprisionam Prometeus nas rochas da ignomínia,

 

que favorecem os tufões da incompetência
que se sentam à mesa dos poderosos

 

e diante de um lauto manjar
exigem dos poetas a continência,

 

exigem toda reverência
para lhes legitimar toda incompetência.

 

Poeta… Perdemos os telhados.
Todos os telhados perdemos.

 

Perdemos as sacadas.
Todas as sacadas perdemos.

 

Perdemos nossas ruas.
Todas as ruas perdemos.

 

Perdemos nossas fontes.
Todas as fontes perdemos.

 

Não temos telhados,
nem as sacadas temos.

 

Não temos ruas,
nem as fontes temos.

 

Estamos sós… Ilhados estamos.
Perdidos – todos – somos, poeta.