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João Batista do Lago

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    EU, PESCADOR DE ILUSÕES (book)

    EU, PESCADOR DE ILUSÕES

    "(...) ao arregaçar as últimas páginas do livro – EU, PESCADOR DE ILUSÕES - chego à conclusão incomum: só escreve tais versos quem tem asas de homem–pássaro" - Mhário Lincoln é jornalista e advogado. "Esta obra é fruto de uma mente genial e brilhante e que demonstra ser amante do saber. É uma obra plena de ideais nobres e humanitários, que fecundam não na mente de um jovem inexperiente e ingênuo, mas ao contrário, na mente de um “ancião”, que fluiu existencialmente na história por vários momentos antagônicos." - Johannes de Silentio é Téólogo. "Sua sensibilidade reconhece ambigüidades e inseguranças da nossa atual temporalidade, batizada de pós-modernidade, como a causa da desistência do homem em buscar o “ser imanente” existente em si próprio, e que prefere se acomodar numa visão “religiosa” de vida e que os transformam em “pobres humanos inconscientes”." - Margarita de Cássia Viana Rodriguesé Doutora em Ciências Sociais.

    Preço (incluso transporte e correios) = R$ 39,30

     

    Áporo (book)

    Áporo

    “João Batista do lago, maranhense, pode ser considerado, atualmente, um dos mais completos poetas e cronistas do Brasil, haja vista a consciência plural e significativa de sua intuição cultural, fato que o faz passear entre musgos históricos gregos e o modernismo clariciano, espargindo o pensamento poético alemão, americano ou inglês, sem esquecer das taças saboreantes dos vinhos que enebriaram o cismar dos poetas franceses como BAUDELAIRE (Charles Baudelaire), MALLARMÉ (Stéphane Mallarmé), FRANÇOIS COPÉE (François Édouard Joaquim Copée) e MUSSET (Louis Alfred de Musset) – o poeta do amor. Como eu, o Maranhão e o Brasil também, creio, se orgulham de João Batista do Lago, uma das maiores expressões literárias do mundo moderno. Fato que, realmente não deixa a desejar se comparado a nenhum dos franceses acima citados”. Marconi Caldas Poeta, escritor e advogado São Luís – Maranhão – Brasil 2007

    Preço (incluso transporte e correios) = R$ 45,00

Arquivo para Janeiro, 2006

Identidades Culturais

Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 19, 2006

Cidades Multiculturais (II)
Identidades Culturais
Por João Batista Lago

O artigo anterior, muito embora não intencionado, fixa-se como intróito desta produção imagético-empirista. Penso que ele era necessário para poder, a partir de então, desenvolver toda esta temática: cidades multiculturais, aqui proposta.
Evidentemente que, com o avanço do conhecimento e da informação, tecnologias por certo, – inclusive tecnologia do saber – que se pautaram a partir de Século XVIII com o advento do Iluminismo, têm contribuído para as mudanças estruturais e conjunturais em todos os campos da atividade humana. E com certeza, o impacto dessas mudanças nos campos de governos, governantes e governados foi dos mais estudados até os dias atuais porquê afeta o ator principal desta tragédia: o ser humano, em toda a sua diversidade e busca de identificações culturais.
A construção da identidade – aqui retorno mais uma vez ao sociólogo Manuel Castells – é “o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, (…) constituem fontes de significado para os próprios atores, por eles originadas e construídas por meio de um processo de individuação (…) são fontes mais importantes de significados do que papéis, por causa do processo de autoconstrução e individuação que envolvem, (…) organiza-se em torno de uma identidade primária (uma identidade que estrutura as demais) auto-sustentável ao longo do tempo e do espaço”.(4)
É precisamente aqui que se dá o majestoso problema de construção da identidade “da” e “nas” cidades. Por quê, então, isso acontece? Porquê o Príncipe tende a impor sua identidade pessoal, personalista mesmo, monopolista, onde seus, e apenas seus, objetivos são privilegiados, desintegrando, assim, toda cultura identitária; desconstruíndo, pois, outras culturas pessoais, mas com uma forte orientação para o igualitarismo e quaisquer processos de alteridade, ou seja: o reconhecimento do outro, o reconhecimento do diferente.
Ora, esse status quo ou conservadorismo, leva, com certeza, a governos despóticos, autoritários e nunca democráticos, posto que, a democracia (que perpassa hoje por muitos conceitos significantes) implica na construção das diferenças que, per se, é a identidade coletiva onde se estabelece o jogo das tensões culturais, sociais, políticas e econômicas.
Não é, pois, nenhuma exageração, aduzir que os novos prefeitos e todos os gestores – públicos ou privados - devem, ou deveriam, imiscuir-se no saber das cidades para, a partir daí, aprender-a-desaprender-para-aprender-de-novo. Esse modelo é muito pouco utilizado por razões até simplórias, por exemplo: a) falta de conhecimento e informação; b) desejo imanente de construir dominações; c) medo do novo. Surge, aqui, então, um tipo de paradoxo: o multiculturalismo implícito no corpo social é o principal responsável pela ascensão do seu algoz. Aqui surge, em meu entendimento, dúvida epistemológica: seria o multiculturalismo fonte de produção de dominação? Não arriscarei quaisquer respostas a esta hipótese, aqui e agora, por entender que não tenho estudos e pesquisas que me levem à emissão de qualquer tese. O importante mesmo é entender-se que os novos príncipes devem – ou deveriam, no mínimo – procurar compreender suas cidades a partir de uma visão, de um posicionamento, de um discurso e de uma imagem altamente multifacetados, permitindo dessa forma a introdução desses novos conceitos em cada Estado-Local. Sem isso, as tensões que muitas vezes são essenciais para fazer sentido, criar novas identidades e significados, não passam de senso-comum. (CONTINUA)

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A Cidadania em Sociedades Multiculturais

Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 17, 2006

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Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 17, 2006

Cidades Multiculturais (I)

Por João Batista Lago

Esse é um tema – multiculturalismo - que estou transportando para a práxis(1) das cidades, por entender que as administrações públicas, como uma teoria geral; ou as gestões públicas, como métodos ou metodologias, não podem e não devem esquecê-lo, sob pena de tornarem seus governos, pura e tão-somente, reprodutores de dominações dadas.
A transformação social incorrente hoje, em todo o mundo, é o resultado de um processo de mundialização que se encontra em curso, que está colocando na agenda dos governos, sobretudo dos governos municipais, conceitos como Identidades Culturais e o Diálogo de Culturas. Esses novos conceitos pressupõem um novo modelo operacional no que tange à definição de Cultura como sendo o lugar onde as identidades são preservadas e promovidas para o interesse público, contrastando o conceito de interesses privados, monopolizantes, das identidades por seus próprios objetivos, onde a “cultura” se desintegra.
Já, no que se refere ao Diálogo de Culturas, vemos imbricado a questão da Ética, principalmente no que se relaciona ao “reconhecimento” do outro, ao “reconhecimento” do diferente. É exatamente aqui que se introduz o conceito de “Alteridade”, ou seja, a exigência de que cada cultura individual reconheça outras culturas como “igualitárias” e que mantenham diálogo verdadeiro com caráter sócio-histórico de longo prazo, ou seja: multicultural.
Portanto, as cidades multiculturais devem desenvolver programas, projetos e atividades que privilegiem, fundamentalmente, o ser humano como sujeito indissolúvel e indissociável do processo citadino. E mais: como processo de um Estado-Local, que tem que ser – estrutural e conjunturalmente – entendido como meio e, jamais, como fim.
Para afirmar este meu tirocínio trago, à tona, os ensinamentos do sociólogo espanhol Manuel Castells, para quem: “um dos mais antigos debates da sociologia urbana diz respeito ao desaparecimento da comunidade, primeiro em razão da urbanização, e depois por causa da suburbanização. (…) As pessoas se socializam e interagem em seu ambiente local, seja ele a vila, a cidade, o subúrbio, formando redes sociais entre seus vizinhos(2)”. Se isso é verdadeiro, temos, pois, como disse no artigo anterior, no Estado-Nação e nos Estados-Membros, sujeitos insuficientes para atender as demandas das cidades e de seus sujeitos. Este condicionamento torna os atuais prefeitos sujeitos, teoricamente suficientes para solucionar as demandas do Estado-Local: as cidades, desde que saibam ler e reler, cotidianamente, a partir de uma gestão multicultural, ou seja, radicalizando, de tal forma, a democracia, a ponto de ouvir todos os segmentos imbricados no corpo societário, antes de quaisquer soluções dadas de cima para baixo ou empurradas gargantas a baixo.
As administrações e as gestões municipais devem entender que, as pessoas, ao se socializarem ou interagirem, em seu ambiente local, mesmo que distante do centro do poder localista, e exatamente por se encontrarem na infra-estrutura, como percebido por Marx-Engels, produzem efeitos discursivos que podem construir ou desconstruir o Governo e o Estado-Local.
“Se os apelos dos movimentos urbanos não são atendidos, se os novos caminhos políticos permanecem fechados, se os novos movimentos sociais de maior representatividade (feminismo, nova classe operária, autogerenciamento, comunicação alternativa) não se desenvolvem totalmente, então tais movimentos – utopias reativas que tentaram iluminar o caminho a que não tinham acesso – retornarão, mas, dessa vez, como sombras urbanas, ávidas por destruir as muralhas cerradas de sua cidade cativa(3)”. (Continua no próximo artigo).

1 O Vocábulo práxis, de conformidade com o pensamento filosófico marxista é o significante do conjunto das atividades humanas tendentes a criar as condições indispensáveis à existência da sociedade e, particularmente, à atividade material, à produção; prática.
2 Castells, Manuel – A Era da Informação; Volume II; pp. 78-79.
3 Castells (1983: 327).

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Como dejar de ser entes para comenzar a ser SERES

Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 14, 2006

Romina Inés Passaggio.

“El hombre es el único que no sólo es tal como él se concibe, sino tal como él se quiere, y como se concibe después de la existencia, como se quiere después de este impulso hacia la existencia. El hombre no es otra cosa que lo que él se hace. Éste es el primer principio del existencialismo. Es también lo que se llama la subjetividad, que se nos echa en cara bajo ese nombre. Pero ¿qué queremos decir con esto sino que el hombre tiene una dignidad mayor que la piedra o la mesa? Pues queremos decir que el hombre empieza por existir, es decir, que empieza por ser algo que se lanza hacia un porvenir, y que es consciente de proyectarse hacia el porvenir. El hombre es ante todo un proyecto, que se vive subjetivamente, en lugar de ser un musgo, una podredumbre o una coliflor; nada existe previamente a este proyecto; nada hay en el cielo inteligible, y el hombre será, ante todo, lo que habrá proyectado ser. No lo que querrá ser. Pues lo que entendemos ordinariamente por querer es una decisión conciente, que para la mayoría de nosotros es posterior a lo que el hombre ha hecho de sí mismo. Yo puedo querer adherirme a un partido, escribir un libro, casarme; todo esto no es más que la manifestación de una elección más original, más espontánea que lo que se llama voluntad. Pero si verdaderamente la existencia precede a la esencia, el hombre es responsable de lo que es”.(”El existencialismo es un humanismo”, “El hombre esta condenado a ser libre” Jean Paul Sartre).

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¿Cómo vamos a ser libres si todo el tiempo nos encontramos atados a convencionalismos abstractos que imponen una moral de la cuál no parece haber retorno?Hombres y mujeres inocuosque no se permiten ser más allá de lo que se les plantea como alternativa de vida:MadresPadresHijosPabellones que albergan “vida”Unos arriba de los otros pisándonos las cabezas diariamenteEl hurto a la orden del díaTristes revistas que alimentan onanismoGanas de escaparGanas de ser algo másGanas de Ser uno mismo* (1)El eterno retorno de uno mismo como afirmó Nietszche no plantea lo mismo pero a la vez no es una antinomía a los diálogos reflejados por Platón, el primero afirma el retorno y una y otra vez a la vida para padecer los mismos sufrimientos. El segundo plantea el eterno retorno a la vida para purificar el alma. Si bien no plantean lo mismo, la visión de Nietzsche es apocalíptica y relativa, lo que Nietzsche olvidó es que el contexto histórico cambia, los seres humanos del mañana no serán los mismos de su época.Y como decía Hans-Georg Gadamer se trata de un problema de conciencia histórica. Y es él quien profundiza estos temas en la Hermeneutica.Desde su nihilismo Nietszche creyó tirar abajo conceptos y preconceptos, olvidándose de que cada etapa de la humanidad difiere de las demás por el contexto histórico donde se reflejaron los hechos.El mundo ya no es el mismo que el de Nietszche. ¿si volviese Zaratustra entre los hombres lo mirarían igual? Entenderían su concepto de SuperHombre ó lo que quizás planteó Nietszche desde su mediocridad es que el Es y Será el SuperHombre.La humanidad no avanza por casos aislados, la humanidad entera necesita descubrirse, encontrar su esencia para dejar de ser entes y ser SERES.Se necesitaron más de dos mil años para que Marx le planteará al mundo que el dinero pierde su utilidad como fin para adquirir una cosa y comienza a tomar valor como dinero en sí.En República de Platón, Sócrates (algunos creen que éste es un mero invento de su interlocutor) ya planteaba la inutilidad del dinero, no es beneficioso, si con éste no puedo adquirir bienes.¿Condenados una y otra vez a padecer lo mismo?NO!Si, hay ciclos, que se repiten una y otra vez, pero el alma - si creemos en concepto de alma, si creemos en Dios o en algo que medie entre la muerte y la vida - Volverémos una y otra vez y está en nosotros elevar nuestro espiritu para que el alma se purifique.No creo en la metafísica de Heidegger por encontrarla abstracta y soberbía que no pudó entender el mensaje del Zaratustra de Nietszche creyendo que planteaba lo mismo que Platón o sino que su Zaratrustra fue una mera fantasia mística.Ahora… Qué vamos a hacer? Esta todo a la alcance de nuestras manos, se encuentra todo ahí, no en los libros, sino, en nosotros mismos encontraremos las respuestas.Esta en nosotros comenzar a buscarlas, ó, pasar inadvertidos por esta vida como entes.

Romina Inés Passaggio.

*(1) Dificil diferenciarnos de la masa - “Mirá la masa de lejos moverse y nada es tan perspicaz como no ser parte de ella”. Cuántos mas difierámos de la masa, se creeará “el buen concepto” de individuo - ese que tiene sus gustos y convicciones no alterados por el sistema.

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Em busca do "real"

Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 14, 2006

Em busca do “real”

Por João Batista Lagoj

Eis-nos, pois, diante de 2006.
Qual sujeito nos propõe sermos? Que verdade haveremos de deblaterar? Quais serão, no contexto do real, as nossas demandas?
Estas e outras questões estão implícitas neste tempo abstrato que conhecemos por “ano”. No caso presente: 2006. Esse modo de produção do tempo nos sintetiza, nos enfeixa num limite de temporalidade orgânica, nos enquadra na inconsciência e inconsistência do real, não nos permitindo vivenciar a materialidade da natureza das coisas, onde o real se dá consciente e consistentemente.
Diante dessa perplexidade ficamos ao largo do sujeito. Em geral somos pura e tão-somente indivíduo metamórfico abstrato que não se constitui, que não faz sentido de ser, que não é real. E no curso desta antinomia existencial vivemos todos os paradoxos dicotômicos entre as proposições e as negações diante dos pressupostos que se impuseram como incontestáveis ao pensamento, portanto, ao indivíduo.
Ora, tendo isto como verdadeiro é forçoso imaginar que só nos damos conta de nós, isto é, só ficamos prenhe de sentido quando nos percebemos na infra-estrutura, ou seja, dentro do real, no contexto das matérias que queremos manipular, que queremos trabalhar. Acredito que somente no campo infra-estrutural encontramos o capital efetivo para o desenvolvimento de um modo de produção capaz de sugerir, ainda que em doses diminutas, a constituição do sujeito.
E de todas essas matérias – creio – a Política é a principal. É neste campo que devemos nos ver como sujeitos. É nessa infra-estrutura que devemos problematizar as coisas e nos problematizar para escapar das biases tão próprias ao senso comum. A Política não pode ser interpretada simplesmente como um lócus do modo de produção de falsas verdades. A Política deve ser entendida e vivenciada como modo de produção do sujeito, ou seja, da verdade, do real. Não a verdade ou o real do indivíduo, tampouco o indivíduo da verdade ou do real. Mas, a verdade real. A verdade não secularizada.
Então, qual sujeito nos propõe sermos?
Esse imbróglio, por menos que queiramos admitir, nos arrasta para o campo acadêmico onde somos banhados por um tipo de caldo metatípico a partir de imersões conceptuais que redundam numa práxis política distante da infra-estrutura, mas que se reproduz, inversamente, num processo de semicultura, ou seja, no conjunto das atividades humanas tendentes a criar as condições indispensáveis à existência da sociedade e, particularmente, à atividade material, à produção. E é exatamente neste momento que se dá a falsa consciência da constituição ou construção do sujeito, privilegiando, assim, o status quo do indivíduo, do individualismo, do poder individual, do poder individualista.
Nessa homocromia calcinatória, onde o poder individual ou o poder individualista gera-se igual no contexto da coletividade, produz-se uma determinada tipologia de mimetismo: o sujeito excluso a partir de toda ideologia da inclusão. Em verdade o que se estabelece é a exclusão guetizada dos sujeitos. Ora, assim guetizados, eles (os sujeitos) perdem o contato com a matéria prima do real, distanciam-se do campo da verdade, e ficam envoltos por um tipo de acriticismo que lhos cega e que lhos reduz à condição secularizada de indivíduo. Eis aí, então, o indivíduo burguês contextualizado na igualdade burguesa, ou seja, a negação do sujeito.
Mas é possível evitar este viés. E o primeiro elemento constitutivo deste novo sujeito é a nolição coletivizada, ou seja, o estabelecimento de uma ação política de vontade negatória, uma ação política de oposição ao status quo dado, uma ação política que contraste os cogitos apriorísticos. Para tanto é indispensável que se elimine a matéria do sagrado e se consagre a matéria da natureza das coisas, onde há latente toda verdade, todo o real.
Não é da natureza humana a desigualdade, a fome, a doença, a miséria. Tudo isso é um tipo de abstração de um construto da natureza burguesa. Mas é da natureza humana a revolucionária igualdade, o direito à comida, à saúde e à riqueza. Mas, para alcançar efetivamente esta natureza é indispensável que saibamos atuar, criticamente, no campo da infra-estrutura, isto é, no real, onde se prefigura não o indivíduo, mas o sujeito prenhe de sentidos.
j João Batista Lago é jornalista, consultor de marketing político e pesquisador.

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Lula e o "Corporativismo de Estado"

Escrito por joaopoetadobrasil em Janeiro 14, 2006

Lula e o “Corporativismo de Estado”

Por João Batista Lago[1]

É constrangedor admitir. É difícil acreditar. É humilhante assistir. Mas é a dura realidade nacional bafejada na semicultura escatofágica.
Sua Excelência, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, inaugurou, na quinta-feira, 16/12, em Pernambuco, ao lado do presidente da Venezuela, Hugo Chaves, mais um pronuntiatio. Para minha surpresa vi uma Instituição em débâcle, após o resultado negativo de uma pesquisa realizada pelo Ibope, sob os auspícios da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que prefigurava sua derrota nas futuras eleições de outubro de 2006.
Mas, surpresa ainda maior foi constatar que o Presidente Lula inaugurou mais um paradigma: um anômalo e atemporal Corporativismo de Estado. Corporativismo, afirme-se: de tez fascista, onde as corporações devem ser subordinadas ao Estado. E, neste caso, o Estado seria o próprio. Mais uma vez o Presidente revela-se, num processo de reificação, um sujeito, um Príncipe, obcecado pelo Poder. Essa tipologia de corporativismo sugere uma superestrutura panregional onde deva existir, entre os Estados, razões de solidariedade que suplantem a lógica das diferenças sócio-políticas.
Quando Sua Excelência criticou acerbamente a Imprensa brasileira, numa analogia à Imprensa venezuelana, quis fazer crer que exista uma campanha (por parte da imprensa nacional) para desconstruir o governo, que começa a ser negado pelo seu próprio partido, o PT. Um verdadeiro asneirão performático. Será que o Rufião sul-americano pensa-se presidente dum pressuposto (impossível acreditar) Sindicados dos Estados do Mercosul e América Latina?
A ideação deste corporativismo atávico-latente, para felicidade geral da nação, não é, sequer, uma pré-qualquer-coisa. Ainda bem. Só imaginar arrepia-me. Amedronta. Apavora.
Mas é preciso que se diga: essa ideologia – mesmo que atávica, mesmo que em estado de latência – deve ser escorraçada da Política. A diferença, como lógica, é o campo da democracia. E a democracia tem custado muito caro ao povo brasileiro.
Quanto à imprensa propriamente dita não a considero como Quarto Poder (como imaginam muitos ideólogos). E ao não considerá-la poder quero enfatizar sua característica de antipoder – seja como função, seja como papel. Contudo devo admitir que a imprensa, esse sujeito abstrato, é uma estrutura que pressupõe em si um tipo de poder mimético, o que nos leva à formulação de um teorema, que não cabe aqui ser dissecado. Mas, para lembrar ligeiramente: o poder da imprensa, como o vejo, é um fenômeno empiricamente observável, diferente do conceito de Poder oriundo da jurisdição, e por conseqüência da burocracia.
Neste ponto, pois, quero fazer o seguinte recorte: a imprensa tem que agir como antipoder para assegurar a informação, garantir a liberdade de expressão e fortalecer a democracia. Ora, sendo a imprensa o “sujeito abstrato” ela contrasta o Poder do Estado (ou do Príncipe) denunciando para o corpo social todas as mazelas, toda corrupção, toda falcatrua, toda idéia ou conjunto de idéias abstrusas.
Por ventura, a imprensa brasileira, com relação à crise política que se estabeleceu no país, a partir das denúncias feitas pelo ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), está divulgando inverdades? Por ventura, as CPI’s não estão apurando e provando que há corrupção no Estado brasileiro? Por ventura, o Partido dos Trabalhadores – partido do Presidente da República – deixou de admitir, publicamente, que em sua estrutura havia uma cultura de corrupção introjetada na sua máquina política?
Tomando como base somente estas questões verifica-se, de pronto, que as acusações presidenciais, contra a imprensa brasileira, são infundadas e carecem de verdadeiro apego à verdade dos fatos. Olhando daqui de baixo, da planície, o que se percebe é que o atual inquilino do Estado sofre de miopraxia (condição de inferioridade ou insuficiência funcional de um órgão, de um aparelho ou de um sistema do organismo).
Para finalizar: as deblaterações presidencialísticas contra a imprensa brasileira não passam (tendo por fundamento conceitos oriundos a Teoria do Discurso) de uma forma de deslocamento, ou seja, uma tentativa de evitar que se perceba o significante vazio que é o Presidente da República.
[1] João Batista Lago, maranhense, jornalista, consultor de Marketing Político e Pesquisador do Irpop Pesquisas. E-mail: joaobatistalago@yahoo.com.br

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